Em 1921, quando a Casa Gabos abriu suas portas, ver ainda era um gesto técnico. Corrigir, medir, ajustar. O olhar era tratado como função. A Gabos nasceu diferente. Desde o início, entendeu que ver também era cultura, convivência, tempo partilhado.
Ao longo das décadas, gerações de santistas cruzaram a mesma porta. Crianças, adultos, famílias inteiras. Algumas vieram buscar óculos. Outras voltaram apenas para ajustar, conversar, reencontrar um rosto conhecido. Sem perceber, a cidade começou a aprender outro jeito de ver.
Ver com mais calma.
Ver com mais cuidado.
Ver com memória.
A Casa Gabos cresceu junto com Santos. Mudaram as ruas, os prédios, os hábitos. O gesto permaneceu. A bancada, a escuta, o ajuste feito com atenção. Cada lente carregando não só correção, mas histórias que atravessam o tempo.
Talvez seja isso que define uma casa.
Não o quanto ela muda, mas o quanto consegue permanecer sendo quem é.